sábado, 26 de abril de 2008

Gol x Palio

Fiat Palio Fire x VW Gol 1.0 City

Reis do ringue: Há dez anos no mercado, eles disputam ponto a ponto a liderança. Com vocês, o combate da categoria peso leve


Demorou, mas aconteceu. O Palio bateu o Gol no ranking mensal de vendas, e por duas vezes consecutivas. Nenhum nocaute, é verdade: 14 635 contra 14 093 carros, em setembro, e 16 698 contra 16 031, em outubro. Com isso, o Palio entrou para o seleto grupo de carros a conseguir superar o VW, ao lado de Uno e Tipo. Foi a 16ª vez que o Gol perdeu a liderança, desde que o modelo a alcançou em 1986.

O primeiro comparativo entre os dois modelos data de agosto de 1997. Apesar de ser novidade, o Palio ficou em terceiro, atrás de Corsa e Gol. Nesses dez anos, os dois protagonizaram várias disputas, sem contar as edições do Melhor Compra. Em 2005 comparamos as versões de entrada de Celta, Mille, Palio e Gol. Novamente o Palio ficou atrás do Gol, amargando a última colocação.

De lá para cá, o mercado mudou e os carros também. Portanto, hora de colocar o título em jogo novamente. A disputa começa na hora da compra. Os dois carros custam quase a mesma coisa. Com a carroceria de quatro portas, o Gol City sai por 26 490 reais. Já o Palio Fire é 350 reais mais barato e custa 26 140. A lista de itens de série é parelha. O Fiat tem pára-choques da cor da carroceria. O Volks é mais prático. Tem ajuste de altura do banco do motorista e pneus mais largos (175/70 R13, ante o 165/70 R13 do Palio). Com essa diferença de preço, você não compra nenhum opcional. Paga metade do "kit de visibilidade" do Fiat, que traz limpador e desembaçador do vidro traseiro e controle interno dos retrovisores.

Pela relação custo/benefício, os Gol e Palio disputam também a preferência dos frotistas. Tanto que, na falta de carros disponíveis para testes fornecidos pelas fábricas, os carros que você vê nas fotos - e que foram testados por nós - vieram de duas diferentes frotas. O Palio foi comprado em novembro pela Editora Abril para servir de meio de transporte aos contatos da publicidade. O Gol pertence a uma grande locadora de automóveis, em São Paulo. Segundo as montadoras, 29% dos Palio vendidos são destinados a vendas diretas e a frotistas. No Gol, o percentual é menor: 25% do volume de vendas.

Troca de comando

Não pense que, por serem antigos, Gol e Palio não têm novidades. A Volks mexeu no motor do compacto no começo de 2006. As modificações começam pelo cabeçote. A taxa de compressão saltou de 10,8:1 para 13:1 e o motor recebeu o mesmo comando de válvulas do Fox. Diante dessas alterações, a central eletrônica foi remapeada e um novo catalisador foi incorporado ao sistema de escape. Com isso, o motor ganhou 3 cv, com gasolina ou álcool. Os números de potência são, respectivamente, 68 e 71 cv. O torque máximo também melhorou. Dos 9,1 (gasolina) e 9,2 mkgf (álcool), ambos a 4 500 rpm, ele foi para 9,4 e 9,7 mkgf, com a vantagem adicional de que esses valores chegam mais cedo, nas 4 250 rpm.

O Palio mudou em setembro, quando a Fiat aposentou sua segunda geração e lançou a versão Fire de cara nova. O motor 1.0 Flex é comum ao restante da linha e tem 65/66 cv. O que o diferencia dos demais é o interior, antigo, ainda da segunda geração.

Avaliamos os dois na pista de testes em Limeira. Mas vale dizer que a ênfase deste comparativo não foi o desempenho. Apesar de medidos no mesmo dia e sob as mesmas condições, o Palio testado tinha apenas 200 quilômetros. Já o Gol beirava os 13 000. E não passaram pela engenharia das montadoras, que costumam caprichar na afinação dos motores. O fato é que assistimos a um banho de desempenho do Volks. Em aceleração, ele foi 4,3 segundos mais rápido que o Palio, com álcool, e 3,7 com gasolina. Nas retomadas, a margem de vitória do Gol foi, em média, de 3,5 segundos. Tamanha diferença não pode ser creditada apenas à disparidade na quilometragem.

Mas vamos ao que mais importa neste caso: os números de consumo. Nova vitória para o Gol. Das quatro medições feitas - ciclo urbano e rodoviário, com álcool e gasolina -, o Volks levou três. Mas a vantagem aqui se deu por uma margem bem menor que a dos testes de desempenho, como você pode conferir na tabela da página 65.

Se na relação custo/benefício os dois empatam, com relação ao visual, ninguém vai marcar ponto. O Palio muda em março deste ano - mas a versão Fire deve ficar com esta mesma cara - e a VW já roda com o Gol radicalmente novo, que ainda não tem data certa para chegar - estima-se em 2008. E hoje a desvalorização dos dois está em torno dos 6,7% no primeiro ano. No interior, eles têm o mesmo padrão de acabamento: plástico no painel. A diferença é que o Gol traz os mostradores do Fox, mais modernos - e sem o minúsculo conta-giros. O Palio é o oposto. Os mostradores são de sua segunda geração, com iluminação laranja. Pelo menos o revestimento das portas no Fire traz um pouco mais de tecido. O espaço interno é um pouco melhor no Gol, que, além de ter 10 centímetros a mais de entreeixos, teve o painel redesenhado com o objetivo de arejar o ambiente. Já a capacidade do porta-malas é quase idêntica: 285 litros no Gol contra 290 no Palio. E o bom acesso é comum.

Palio e Gol não figuraram entre os finalistas do Melhor Compra 2006 nas categorias até 30 000 reais. Nem por isso itens como o pós-venda e a manutenção devem ser esquecidos. O Gol tem duas famas: é duro na quebra, mas o preço do seguro é alto. A primeira se confirma. A segunda, não mais. Em dezembro de 2005, o seguro do Volks chegava a custar 40% mais que o do Fiat. Hoje a Volks oferece para todo Gol vendido na Grande São Paulo um rastreador gratuito de fábrica com o primeiro ano de manutenção pago. Isso colocou seu seguro na mesma faixa do do Palio, que é de 2 000 reais, isonomia que desaparece no ano seguinte. O índice de reparabilidade (análise do custo de conserto dos carros em caso de acidente, que leva em conta o preço do pacote de peças e o grau de dificuldade para consertá-los) do Gol é ligeiramente mais favorável que o do Palio.

Contabilizando essas pequenas cifras a favor do Gol, a vitória da versão City sobre o Palio Fire se consolida. Ele tem a mesma relação custo/benefício do Palio na hora da compra, mas é mais econômico na hora de abastecer, tem interior arejado e ainda trata melhor o bolso de seu dono na hora da manutenção. E o mercado concorda. Até a primeira quinzena de dezembro, o Volks tinha a vantagem de 20 000 carros no acumulado de vendas sobre o rival.


Palio Fire - R$ 26 140
No canto direito, o desafiante que, em setembro passado, chegou com cara nova na versão Fire.

Suspensão
É um pouco mais bem resolvida que a do Gol, mas está longe da do Fiesta, referência no segmento.
Avaliação: muito bom

Ao volante
Na frente, oferece as mesmas "condições" que o Gol: boa posição e comandos bem distribuídos.
Avaliação: muito bom

Carroceria
As linhas são atuais. O Palio muda no ano que vem, mas a versão Fire continua com essa mesma cara.
Avaliação: bom

Motor e câmbio
Tinha apenas 200 km rodados quando foi testado. Mas o Fire levou uma nota inferior por beber mais em três das quatro medições.
Avaliação: bom

Mercado
Assim como o Gol, tem uma grande rede assistencial espalhada pelo país.
Avaliação: muito bom


Gol City - R$ 26 490
No canto esquerdo, defendendo seu título de campeão há 20 anos, o Gol, reestilizado no fim de 2005.

Suspensão
O conjunto deixa a carroceria ceder demais em acelerações e frenagens. Pelo menos é confortável.
Avaliação: bom

Ao volante
A Volks redesenhou o painel e deixou tudo à mão. E o Gol traz o ajuste de altura do banco do motorista de série.
Avaliação: muito bom

Carroceria
O projeto é mais antigo, mas o visual data de 2005. O Gol tem menor índice de reparabilidade: fica mais em conta arrumar uma batida no hatch da VW.
Avaliação: bom

Motor e câmbio
O conjunto avaliado mostrou-se mais eficiente que o do Palio nos testes de desempenho e em consumo.
Avaliação: muito bom

Mercado
Semelhante à do Palio, a desvalorização é de apenas 6,7% após o primeiro ano de uso. Ajuda na hora de revender. A fama de inquebrável também.
Avaliação: muito bom.


Veredicto
Gol City e Palio Fire ficaram separados por apenas 0,1 ponto na pesquisa Os Eleitos, que mede o índice de satisfação de seus proprietários. Essa mesma paridade pôde ser vista aqui, onde o Gol ganhou "por pontos" por ser um pouco mais econômico e mais barato em alguns itens do pós-venda.







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